Região

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Tudo aparenta um monótono plano. Quando nos aproximamos da região de Idanha vindo de Castelo Branco, Cáceres ou Plasência os nossos olhos são preenchidos pela vastidão, dourada pelo verão ou pintalgada de flores e aromas na primavera. As paisagens que atravessamos são avassaladoras, perdendo-se a noção de escalas: as proporções perdem-se no limite do alcance do nosso olhar. A riqueza florística atinge o seu auge em Abril, onde muitas dezenas de espécies autóctones fazem explodir de cor as vertentes suaves nesta fronteira do Erges, para nascente. Este é o rio em que se tropeça quando a curiosidade persiste, que se transforma num deserto de seixos rolados no estio ou mostra toda a energia de um curso ainda selvagem, após grandes chuvadas. De Norte para Sul, rasgam-se os xistos e talham-se os granitos de Salvaterra do Extremo e Segura em gargantas profundas que ecoam o derradeiro grito do Grifo e da Águia Imperial. Do Salto da Cabra, olhamos de frente a erosão dos tempos no Castelo de Peñafiel sem percebermos a ânsia do Erges em chegar a esse imenso Tejo Internacional, lá bem no fundo, para sul, escondido pela peneplanície. São estas terras de silêncios, para quem quer ouvir o rosmaninho a crescer ... silêncios interrompidos em Setembro, pelos pujantes bramidos dos veados no apelo ao prazer ...

No horizonte, as manchas cinzentas proeminentes das serras graníticas da Gardunha e Estrela, já a adivinhar um outro Portugal para ocidente. Para lá chegar, surge uma impressionante escarpa de falha adormecida e coroada por uma muralha natural de blocos graníticos, entre os quais Idanha-a-Nova se aninhou por 800 anos. Nas Termas de Monfortinho, a actividade da falha materializa-se num invulgar oásis de bem-estar, onde as águas mineralizadas pelo calor geotérmico nos reconciliam com a Natureza, aqui tão especial.

Os horizontes setentrionais são obliterados por uma muralha natural, duplicada por tectónicas passadas: as serranias de Penha Garcia. Percorrem-se as suas veredas e assaltam-nos sentimentos de comunicabilidade com um passado ainda presente; desce-se às profundezas do Rio Ponsul e mergulhamos no tempo em oceanos primordiais com 500 milhões de anos. Desvendar os seus tesouros é descer os estratos verticais ou voar através da garganta quartzítica, ou fazer uma leitura atenta de uma escrita biológica ainda por decifrar que povoa as páginas desta enciclopédia pétrea.

No centro da imensidão do espaço, alcançável com o olhar de todos os pontos cardeais, ergue-se a mais bela babel. Ruína natural que se ergue intensamente vertical, Monsanto tolhe-nos os sentidos pela sua grandiosidade e opulência graníticas. Aparentemente único, cada penedo foi moldado e erguido pelos elementos ao longo de milhões de anos, segundo padrões que nos excitam a imaginação. O sábio e primordial entendimento das paisagens pelo Homem fez desta varanda suspensa para a imensidão do espaço um modo de vida, um estado de espírito, uma força do ser e do querer.

Tudo aparenta um monótono plano. Quando nos aproximamos da região de Idanha vindo de Castelo Branco, Cáceres ou Plasência os nossos olhos são preenchidos pela vastidão, dourada pelo verão ou pintalgada de flores e aromas na primavera. As paisagens que atravessamos são avassaladoras, perdendo-se a noção de escalas: as proporções perdem-se no limite do alcance do nosso olhar. A riqueza florística atinge o seu auge em Abril, onde muitas dezenas de espécies autóctones fazem explodir de cor as vertentes suaves nesta fronteira do Erges, para nascente. Este é o rio em que se tropeça quando a curiosidade persiste, que se transforma num deserto de seixos rolados no estio ou mostra toda a energia de um curso ainda selvagem, após grandes chuvadas. De Norte para Sul, rasgam-se os xistos e talham-se os granitos de Salvaterra do Extremo e Segura em gargantas profundas que ecoam o derradeiro grito do Grifo e da Águia Imperial. Do Salto da Cabra, olhamos de frente a erosão dos tempos no Castelo de Penafiel sem percebermos a ânsia do Erges em chegar a esse imenso Tejo Internacional, lá bem no fundo, para sul, escondido pela peneplanície. São estas terras de silêncios, para quem quer ouvir o rosmaninho a crescer ... silêncios interrompidos em Setembro, pelos pujantes bramidos dos veados no apelo ao prazer ...

No horizonte, as manchas cinzentas proeminentes das serras graníticas da Gardunha e Estrela, já a adivinhar um outro Portugal para ocidente. Para lá chegar, surge uma impressionante escarpa de falha adormecida e coroada por uma muralha natural de blocos graníticos, entre os quais Idanha-a-Nova se aninhou por 800 anos. Nas Termas de Monfortinho, a actividade da falha materializa-se num invulgar oásis de bem-estar, onde as águas mineralizadas pelo calor geotérmico nos reconciliam com a Natureza, aqui tão especial.

Os horizontes setentrionais são obliterados por uma muralha natural, duplicada por tectónicas passadas: as serranias de Penha Garcia. Percorrem-se as suas veredas e assaltam-nos sentimentos de comunicabilidade com um passado ainda presente; desce-se às profundezas do Rio Ponsul e mergulhamos no tempo em oceanos primordiais com 500 milhões de anos. Desvendar os seus tesouros é descer os estratos verticais ou voar através da garganta quartzítica, ou fazer uma leitura atenta de uma escrita biológica ainda por decifrar que povoa as páginas desta enciclopédia pétrea.

No centro da imensidão do espaço, alcançável com o olhar de todos os pontos cardeais, ergue-se a mais bela babel. Ruína natural que se ergue intensamente vertical, Monsanto tolhe-nos os sentidos pela sua grandiosidade e opulência graníticas. Aparentemente único, cada penedo foi moldado e erguido pelos elementos ao longo de milhões de anos, segundo padrões que nos excitam a imaginação. O sábio e primordial entendimento das paisagens pelo Homem fez desta varanda suspensa para a imensidão do espaço um modo de vida, um estado de espírito, uma força do ser e do querer.

São estas terras antigas como o mais velho xisto, gastas e aplanadas por mais de 600 milhões de anos de convulsões geológicas, uma porção inestimável do Geopark Naturtejo da Meseta Meridional. Não, este sítio esconde algo especial ... e intransmissível. É um puzzle de paisagens no espaço e no tempo que demora a construir, dentro de nós, na serenidade e individualidade da razão.

 

Carlos Neto de Carvalho

Coordenador Científico do Geopark Naturtejo da Meseta Meridional

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